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A ARTE DE EDITAR REVISTAS

Olá!

Hoje o post é uma indicação de leitura. O livro de Fatima Ali, A ARTE DE EDITAR REVISTAS é um prato cheio para quem quer saber mais sobre todo o universo em torno da criação de uma publicação, seja uma revista ou não. Comprei este livro, pois na época estava envolvida em um projeto de reformulação de um jornal empresarial. Muitas ideias boas saíram daí.

Assuntos relacionados aos leitores, pesquisas, conceitos editoriais, títulos, colunas, capa, diagramação, design, layout, fotografias, conteúdo – entrevistas, matérias, reportagens -, administração de tempo, ética, história da revista, tudo, tudo, tudo, que você possa imaginar e estiver envolvido com a criação de uma revista, ou outra publicação, estarão neste livro.

A experiência da autora com o jornalismo começou como diretora da revista Manequim em 1968, aos 24 anos. Sem nunca ter trabalhado na área antes, nem sequer como repórter, Fatima teve que aprender sozinha e, para organizar a aprendizagem, criava manuais para consulta, que serviram de base para o livro.

Separei, e resumi, uma pequenina parte para você, vamos lá:

PRINCÍPIOS DO BOM TEXTO

Há quem pense que escrever bem é escrever difícil. Engano. Um grande número de obras-primas literárias foi escrito numa linguagem de grande simplicidade. Aqui estão quatro princípios do bom texto: simplicidade, clareza, concisão e precisão.

1.     Simplicidade

O ideal é que o texto seja compreendido ao mesmo tempo em que é lido, sem obrigar o leitor a voltar atrás nas frases ou quebrar a cabeça. As palavras familiares formam instantaneamente uma imagem na mente do leitor. As desconhecidas ou pouco familiares precisam ser “traduzidas” para que a imagem possa surgir. Infelizmente, muito do que se escreve e publica é carregado de complexidade desnecessária. Um vasto vocabulário deve ser usado apenas para dar sentido claro e exato ao pensamento, jamais para ser exibido. Se as palavras chamam a atenção para si mesmas, alguma coisa está errada – num texto bem-escrito, o leitor não percebe o estilo, e absorve o conteúdo rapidamente. Assim, melhor dizer o que se quer, da maneira mais simples possível, como numa conversa com um amigo. Nada é mais sofisticado do que a simplicidade. Nem mais difícil. Contudo, não confundir simplicidade com vocabulário ou ideias pobres. Simples não é simplista. Simples é utilizar palavras e frases para transmitir os mais complexos pensamentos. Exemplos de palavras simples:

EM VEZ DE USE
volume, torno, obra livro
permanecer ficar
face, fisionomia, semblante rosto
matrimônio casamento
faleceu morreu
unicamente

2.     Clareza

Complicar o simples é fácil; simplificar o complicado é difícil e exige trabalho e criatividade. Clareza é transmitir limpidamente o que se quer dizer. Não é baixar o nível da informação para chegar mais perto do “nível do leitor”. Certamente, entre os leitores, se encontram pessoas com nível de informação e cultura acima do que o de quem escreve. Pesquisas comprovam que até um professor universitário prefere ler um texto sem ter que fazer esforço para compreendê-lo. Imagine, então, o leitor comum e aqueles das classes menos informadas.

O QUE É ÓBVIO PARA O JORNALISTA PODE NÃO SER PARA O LEITOR: Ele não conhece o assunto como o jornalista. Mesmo quem é bem-informado desconhece muita coisa. Por isso, é preciso esclarecer todas as referências. Por exemplo, se um ministro é citado, dizer qual é a sua pasta; se é mencionado que uma pessoa teve nefrite, explicar o que é isso; se uma sigla é usada, dizer o que significa.

E DAÍ?: Informação é o que não falta nos dias de hoje – ao contrário. Todos precisam – e muito – de quem as interprete e diga-lhes o que significam para eles; como os fatos afetam o seu trabalho, seu dinheiro e, principalmente, seus direitos. A maior parte das matérias deixa de responder a mais importante de todas as perguntas: e daí? Ou seja, “Por que você escreveu isso? O que isso tem a ver comigo?

EXPLICAR, NÃO COMPLICAR!:

    • UMA COISA DE CADA VEZ: Não empacotar várias informações num só parágrafo.
    • ORDEM DIRETA: Escrever numa sequência lógica, na ordem que aprendemos na escola – sujeito, verbo e complemento.
    • COMPARAÇÃO: Construções como “A se parece com B”, “A é diferente de B” também ajudam a explicar. A comparação simplifica e esclarece.
    • EXEMPLOS: É o jeito mais fácil de explicar algo, pois fala por si.
    • QUEM É QUEM; QUEM DISSE O QUÊ; O QUE É O QUÊ: Quando alguém é citado no texto, deve ser identificado imediatamente – sem deixar para a frase seguinte. Na primeira vez em que um personagem é mencionado, a identificação deve ser completa. Nas outras, a apresentação pode ser breve, apenas para lembrar ao leitor quem é a pessoa. Evitar o uso de pronome ou conjunção – “ele” ou “que” – para se referir ao personagem em questão.
    • PERGUNTOU? RESPONDE LOGO: Não divagar ou dar explicações antes da resposta.

3.     Concisão

Para manter o leitor interessado, o texto precisa ser leve, rápido. Quanto mais curto, maior a chance de ser lido. O texto conciso tem mais impacto e a legibilidade aumenta na proporção em que palavras desnecessárias são eliminadas. O excesso de palavras geralmente esconde a falta de assunto.

CORTAR, CORTAR, CORTAR: Não desperdiçar o tempo do leitor nem espaço da revista. Não dizer em duas páginas o que pode dizer em uma. O parágrafo é uma unidade de pensamento, não de comprimento. É mais fácil ler parágrafos curtos do que longos. Cortar é difícil, mas tem que ser feito.

REDUNDÂNCIAS: Normalmente, é suficiente dizer as coisas uma só vez.

REPETIÇÃO DE PALAVRAS: Isso vale para pronomes, conjunções e artigos. Mudar a estrutura da frase para evitar a repetição, a não ser que se queira enfatizar algo.

DIRETO AO PONTO: Captar logo a atenção do leitor, dar os pontos-chave o mais rapidamente possível e depois fornecer o restante da informação essencial.

4.     Precisão

Textos vagos e uso da linguagem podem confundir o leitor. É necessário esforço para buscar palavras com significado exato em vez de optar por expressões vagas. Se há qualquer dúvida sobre o significado de uma palavra, melhor conferir.

CHECAR, CHECAR, CHECAR: Uma informação errada ou um texto descuidado coloca em xeque a revista inteira. Ninguém está livre de cometer erros. Se isso acontecer, admitir. Assim, pode-se recuperar parte da credibilidade perdida. Verificar:

    • Nomes de pessoas e lugares
    • Fatos
    • Citações
    • Ortografia e gramática
    • Ambiguidades do texto
    • Números

Cinco conselhos:

Não edite o texto enquanto escreve – Pensar no que se escreve e editar o texto ao mesmo tempo pode bloquear o fluxo criativo. Escreva sem censura, sem se preocupar com a forma e menos ainda com o estilo. Depois de ter registrado suas ideias, você poderá remontar, editar e corrigir o texto.

Seja tolerante com seus erros – ler o texto pensando no chefe, no colega ou nos organizadores do Prêmio Esso dizendo “que lixo!” não dá pé. Esqueça-se deles! Seu trabalho não é o melhor nem o pior já feito. É simplesmente o seu trabalho.

Deixe esfriar – Faça outra coisa, dê uma volta. Ou abandone o trabalho por uns dias ou por algumas horas. Distancie-se um pouco para ganhar objetividade.

Saia do “automático” – Criar e produzir uma revista a cada semana, quinzena ou mês pode levar os jornalistas a uma atitude de linha de montagem e fazê-los escrever aquilo que é mais seguro e garantido, evitar o risco, optar pelo menor esforço. Esse é o caminho da mediocridade.

A hora de parar – Uma revisão a mais vai melhorar o seu texto, mas há a hora de parar. Se você acha que está razoavelmente bom, passe o texto adiante e parta para outra.

Bom, essas são as dicas de Fatima Ali. Não deixem de ler esse livro tão completo ;)

Abraços

Fernanda Mourão

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1 comentário

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